domingo, 16 de novembro de 2008

James Elroy Flecker

“Entre o Pedestal Noturno e o Matinal
Entre a morte vermelha e o desejo radiante
Sem um único som de triunfo ou alerta
Surge o grande sentinela na ponte de fogo
Ó alma transitória, que adorna com sonhos o teu pensamento
Abandona a coroa de louros, remove as coradas da lira:
As rodas do Tempo estão girando, girando, girando,
A corrente vagarosa flui profunda e não se cansa.
Os Deuses estão sobre sua ponte,
Sussurrando mentiras e amor
Zombaram de tua passagem pelo rio sombrio
Cujas correntes incansáveis
Levarão a ti, rei dos sonhos,
- Destronado e eternamente inacessível -
Para onde os reis que sonharam outrora
Embranquecem em lares de frio monumental.”

James Elroy Flecker (1884-1915)

domingo, 14 de setembro de 2008

Arquitetura da Destruição

Por: Afonso Rodrigues

Passadas seis décadas - e as gerações surgidas nelas - o nazismo continua um assunto inesgotável e presente no mundo e nas mentes humanas. Todo o absurdo gerado pelo nascimento desta ideologia, onde as sombras da humanidade foram trazidas à luz de modo exacerbado, assusta pela truculência, pela brutalidade, pela frieza, pela morbidez e por outras características que permanecem pavorosas depois de tanto tempo, daí exercer até hoje um fascínio imenso em todos que não compreendem ou se horrorizam no enfrentamento com a escuridão da nossa alma. Visitar ou re-visitar a área de penumbra gerada por Adolf Hitler é material de muita literatura, cinema, artes plásticas e documentários e parece inesgotável. Num mundo onde grupos neo-nazistas pregam o re-erguimento desta ideologia e até mesmo a existência do Holocausto é questionada por governantes anti-sionistas como surge frequentemente na pauta das matérias jornalísticas, faz-se necessário um não esquecimento deste momento vivido pela humanidade para se evitar os mesmos erros.
O documentário Arquitetura da Destruição(em DVD pela Versátil. R$ 40) onde é feita uma reflexão profunda sobre o que foi o nascimento do nazismo no coração da Europa, o continente mais desenvolvido tecnologicamente e culturalmente naquele período entre os anos 30 e 40. O diretor Peter Cohen fixa seu ponto exatamente no impacto dos valores estabelecidos pelo Partido Nazista na vida cultural e intelectual na Alemanha e depois no mundo.

Com um trabalho de pesquisa minucioso, o diretor mostra como Hitler esboçou suas metas culturais lá nos anos 20, na concepção do seu “Mein Kampf”, onde estabelece os limites cabíveis na Nova Alemanha, que surgiria das cinzas da Primeira Grande Guerra, qual fênix sedenta, acima de tudo, de morte e destruição. Falava ele: “Que são Goethe, Schiller ou Sheakespeare em comparação com os grandes heróis da nova poesia alemã? Gastas e obsoletas coisas de um passado que não podia mais sobreviver! A característica desses literatos é que eles não só produzem somente sujeira, mas, pior do que isso, lançam lama sobre tudo que é realmente grande no passado”. Montanhas de livros sendo queimados em praça pública pela Juventude Hitlerista são imagens assustadoras que ilustram a prática recorrente naqueles tempos dos quais fugiram Thomas Mann, Hermann Hesse e outros exilados desta “revolução cultural”. E imaginar que tudo foi perpetrado por Hitler, ele mesmo um aspirante a pintor que jamais ultrapassou a barreira do medíocre. Este mesmo “artista” ou “esteta” exibia a produção das artes plásticas da época, onde residem as raízes de toda a vanguarda contemporânea, em salões que intitulava “arte degenerada”. Os valores eram (e deviam ser) os da antiguidade clássica. Nada de novas concepções. Nada de renovações. Assim como a raça ariana deveria prevalecer como ideal a ser alcançado, sua arte também deveria imperar. Uma nova estatuária “clássica” surge e uma pintura “patriótica” preenche as paredes enquanto os museus dos países ocupados são saqueados impiedosamente. Até mesmo o estabelecimento do padrão plástico racial apregoado pelo Terceiro Reich segue critérios assustadores que vão desde a seleção genética do povo alemão, passando pela eliminação das “sub-raças” até o experimentalismo dos médicos, aos quais eram dadas as liberdades científicas que horrorizaram o mundo. O desenrolar destas imagens durante o documentário vai nos esmagando na poltrona até um momento síntese, que é a aparição de Albert Speer no cenário nazista.
Speer era arquiteto e foi contratado por Hitler para materializar em edifícios tudo que fosse importante na edificação do novo império. Muitas das idéias eram originárias do próprio Führer, desde conceitos de urbanização até mesmo nas construções que seriam sedes da nova nação. O desenrolar das imagens onde surgem maquetes gigantescas de uma nova Berlim, com avenidas largas o suficiente para desfiles de tropas vitoriosas, estádios de dimensões ciclópicas onde ele, Hitler, criador e mestre da Alemanha Purificada, faria aparições e discursos, tudo mostra um projeto de fazer inveja a qualquer imperador romano. Porém não é exatamente isto que surpreende, mas o fato do Führer ter pedido a Albert Speer que criasse tudo de modo que, quando destruído, gerasse belas ruínas. Como se vê, o autor do conceito da “Arte Total” a ser implantada na Alemanha, se via como mentor de um conceito de tragédia quase operístico, onde a destruição, o caos e a ruína eram o objetivo final.
E assim foi. Um sobrevôo sobre Berlim ao término da guerra mostra que ruína foi a herança deixada para o povo alemão.
Este documentário pode ser considerado um item obrigatório para todos que quiserem travar um conhecimento mais próximo com este momento abominável que a raça humana vivenciou. Para que? Para não se repetir, é a resposta mais óbvia. Mesmo assim sabemos da fragilidade do homem diante do rolo compressor do pensamento totalitário e do arraso que causa naquilo que nos transmuta em algo maior: nossa produção cultural. A China de Mao Tse Tung viveu coisa semelhante. A “Revolução Cultural” implantada lá passou o rodo num conjunto de manifestações artísticas das mais refinadas que já surgiram na história da humanidade. E lá, como na Alemanha hitlerista, sobreviveu à tempestade exatamente por ser a antítese de tudo que é morte e ruína, ou seja, a arte e a vida.

domingo, 7 de setembro de 2008

Fãs de música clássica e heavy metal são parecidos, diz estudo

Um estudo que analisa a relação entre gosto musical e personalidade sugere que há semelhanças entre fãs de música clássica e aqueles que gostam de heavy metal.

A pesquisa, realizada na Universidade Heriot Watt, em Edimburgo, na Escócia, entrevistou 36 mil pessoas. Os pesquisadores fizeram perguntas sobre características da personalidade de cada participante e pediram para que os voluntários avaliassem 104 estilos musicais.
Os resultados sugerem, por exemplo, que fãs de jazz são criativos e extrovertidos, enquanto aqueles que gostam de música pop tendem a ter pouca criatividade.
Segundo o professor Adrian North, que liderou o estudo, a surpresa foi descobrir semelhanças na personalidade de fãs de música clássica e heavy metal.

"São pessoas muito criativas, introvertidas e de bem consigo mesmas, o que é estranho. Como você pode ter dois estilos tão distintos com grupos de fãs tão parecidos?", afirmou North.

Ele ressalta que uma das explicações pode ser o “aspecto teatral desses estilos, que são dramáticos”. "As pessoas em geral têm um estereótipo sobre os fãs de heavy metal, acham que eles têm tendência suicida, são deprimidos e representam um perigo para si e para a sociedade em geral. Na verdade, são pessoas bem delicadas", afirmou.
fonte:http://www.bbc.co.uk

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

FILOSOFIA NO MOSTEIRO

Faculdade de São Bento
100 anos: 1908-2008
A mais antiga Faculdade de Filosofia do Brasil

Apresenta

FILOSOFIA NO MOSTEIRO

Palestras sobre os grandes temas abordados pela tradição filosófica e suas repercussões na contemporaneidade .

Acontece na primeira sexta-feira de cada mês (exceto férias e feriados)

05 de Setembro de 2008

Palestrante: Profº. Dr. Edélcio Gonçalves de Souza
Tema: O Conceito de Verdade na Ciência

Horário: meio-dia
Local: Teatro do Mosteiro de São Bento
Largo de São Bento s/nº - Centro – São Paulo

ENTRADA FRANCA

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Desembargadora cita HQ 'Watchmen' em decisão contra milícias no Rio

Frase 'Who watches the Watchmen' serve de epígrafe em texto jurídico.Clássico do quadrinista Alan Moore deve chegar aos cinemas em 2009.

Diego Assis
Do G1, em São Paulo
A desembargadora federal Maria Helena Cisne, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, usou a frase mais conhecida da HQ "Watchmen", de Alan Moore, como epígrafe do texto da decisão que culminou na prisão de 15 pessoas acusadas de envolvimento em crimes eleitorais no Rio. A frase "Who watches the Watchmen" (algo como "quem vigia os vigilantes") foi citada em inglês na abertura do documento, datado de 27/8/2008 e divulgado a jornalistas nesta sexta-feira (28).
Na epígrafe do parecer, a desembargadora citou ainda um trecho do livro "O poderoso chefão", de Mario Puzo, e a poesia "Carta aos 'puros'", de Vinicius de Moraes. Lançada originalmente entre 1986 e 1987 pela DC Comics, "Watchmen" é uma série em 12 capítulos que mais tarde foi compilada em uma graphic novel. Ambientada nos anos da Era Thatcher e da Guerra Fria, a trama gira em torno do assassinato do personagem conhecido como Comediante, um dos vários heróis veteranos colocados na ilegalidade pelo governo. O acontecimento faz com que Rorschach, outro integrante do antigo grupo de vigilantes passe a reecontrar os velhos amigos - e inimigos - em busca de uma solução para o crime misterioso.
Uma versão para o cinema da HQ, com direção de Zack Snyder, está prevista para estrear em março de 2009. O longa, no entanto, vem sendo motivo de uma disputa judicial entre a Fox e a Warner Bros. e pode ter sua data de lançamento modificada.

Liga da Justiça

Coincidência ou não, uma das milícias envolvidas na mesma investigação policial no Rio atende pelo nome de Liga da Justiça, nome do grupo de super-heróis mais famoso da DC Comics, a mesma editora que publicou "Watchmen", nos Estados Unidos.


domingo, 24 de agosto de 2008

Deuses e Mitos do Norte da Europa

Comprei ontem na Bienal do Livro Deuses e Mitos do Norte da Europa, o grande clássico da pesquisadora Hilda R. Ellis Davidson, uma das figuras mais respeitadas no meio acadêmico deste assunto, Ph.D. em 1940 por sua tese a respeito da “morte da literatura escandinava”. Esta obra reúne um trabalho de vários anos, e sua preocupação ante a negligencia e esquecimento de escolas, autores e estudiosos pelo assunto. E apesar da publicação do original ser datado de 1964, o livro ainda é uma fonte preciosa para acadêmicos e leigos que queiram se aprofundar mais na Mitologia Germânica.
O livro é direcionado, como dito, a um público acadêmico, mas sua linguagem também é acessível para leigos. A autora busca explicações não somente nas fontes escritas, entre elas a Edda em Prosa e a Edda Poética, e as Sagas Nórdicas, mas também em achados arqueológicos e topônimos, como uma forma de analise. Percebe-se em todo o texto desta historiadora britânica uma preocupação em identificar significados sociais e culturais, seja a partir de possíveis origens etimológicas, como tentando encontrar equivalências das narrativas no próprio cotidiano e cultura dos escandinavos.
Deuses e Mitos do Norte da Europa, começa por um resumo comentado da Edda em Prosa escrita por Snorri Sturluson, considerado pela autora a principal fonte mitológica germânica, em seguida são apresentados os mais importantes deuses da guerra, do céu, da fertilidade, do mar e da morte, também são apresentados outros deuses mais enigmáticos da mitologia germânica, como Heimdallr, Loki e Baldr, e por fim a autora nos traz a criação e destruição do mundo, e a substituição da fé pagã pelo cristianismo. Sempre com essa preocupação por uma investigação baseada numa análise sócio-cultural desses documentos escritos e arqueológicos, de acordo com as abordagens mais modernas de estudos neste campo das ciências de investigação histórica.
A única falha do livro, e não da autora, diz respeito a tradução. Nota-se facilmente que o tradutor não tem conhecimento prévio do assunto, sendo assim a editora no mínimo teria que contratar um consultor para supervisionar e revisar a tradução. Várias falhas podem ser citadas, algumas tornam uma ou outra frase de difícil compreensão, principalmente para quem ainda não sabe muito do assunto.
O tradutor peca principalmente em suas textualizações, ou escolha delas, aliás um livro dedicado a um público mais especializado, de pesquisadores, deveria seguir a regra acadêmica de manter os nomes no idioma nórdico (Old Norse), que a autora fez, apenas simplificando, omitindo acentos e o r final, e substituindo as letras ð (maiúscula Ð) e þ (maiúscula Þ) por d e th respectivamente, como a autora explica na página 191 desta tradução.
Exemplo grotesco cometido pelo tradutor é, por exemplo, nos nomes das famílias divinas, que ele textualizou para Esirs e Vanirs e que, em Old Norse são Æsir e Vanir, respectivamente. Pois a terminação ir indica plural (masculino) em Old Norse, sendo assim é desnecessária a colocação do s. Existem textualizações melhores para o português, nestes casos, de uso mais corrente, que seriam Ase(s) e Vane(s), respectivamente. Outras textualizações são no mínimo de mal gosto, como nos nomes dos deuses Óðinn (Odin) e Þórr (Thor), que o tradutor colocou como, Odim e Tor, respectivamente.
Ouvindo: Amon Amarth - Cry of the Black Birds


E o Brasil toma mais um nabo nas Olimpíadas

E eu concordo com o Führer tem que chamar a Edinanci para treinar a seleção pq o rojão do Dunga é um estalo.

video escandalosamente roubado do blog do Profº Edson Gil http://edsongil.wordpress.com/

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Coruja e filosofia - o que fazem juntas?

Obverso: efígie de Atena. Reverso: uma coruja. Tetradracma de prata de Atenas, posterior a -449.
A coruja da filosofia é a Coruja de Minerva. Minerva é uma deusa romana. Seu equivalente grego é Athena.A deusa Athena é filha predileta do deus dos deuses, Zeus, e da deusa Metis, cujo nome significa "conselheira", e que indica a posse de uma sabedoria prática. Athena não nasceu de parto normal. Zeus engoliu a esposa, Metis, para se safar do filho que, pensava ele, poderia destroná-lo, aliás como ele próprio fez com seu pai, Cronos. O nascimento de Athena se dá de um modo especial: após uma grande dor de cabeça, Zeus teve sua fronte aberta por um de seus filhos, e daí espirrou Athena, já forte e grande.Athena seria a protetora natural de Athenas – uma vez que estava ligada à idéia de cuidado com as habilidades manuais, com as artes em geral, com a guerra enquanto capacidade de proteção e, enfim, com a sabedoria, ou seja, tudo que deveria comandar uma cidade. Todavia, foi desafiada por Poseidon, que também desejava ser o protetor da cidade de Atenas. Os deuses em reunião decretaram que ficaria com a cidade aquele que produzisse algo de mais útil aos mortais. Poseidon fez o cavalo, Athena fez a oliva. A vitória foi concedida a Athena.A disputa clássica na vida de Athena, no entanto, foi contra uma mortal – Arachne, talvez uma princesa, mas que aparece na mitologia como um tipo de doméstica. Arachne tecia muito bem, maravilhosamente, a ponto de dizerem que a própria deusa das habilidades, Athena, a havia ensinado. Mas Arachne negava tal fato e retrucava que poderia produzir uma rede muito superior a qualquer coisa que Athena fizesse. E assim desafiou a deusa.Athena transformou-se em uma velha e foi procurar Arachne, para aconselhá-la a não desafiar um deus. Mas Arachne ficou furiosa, e manteve seu desafio. E então veio o confronto. Ambas teceram rapidamente, mostrando uma habilidade incrível, e a própria disputa se fez de modo tão fantástico que parecia uma homenagem ao trabalho. No produto de Athena, as figuras tecidas mostravam os deuses, imponentes, mas desgostosos com a presunção dos mortais. No produto de Arachne, as figuras exemplificavam erros dos deuses – tudo em forma de deboche. O resultado foi que Athena não suportou o insulto, e se insurgiu contra Arachne. Quando foi para colocar fim na vida de Arachne sentiu piedade (piedade grega, não cristã, é claro) e a poupou, deixando-a viver como um estranho animal – a aranha.O mito tem como objetivo mostrar a criação da aranha, é claro. Mas, como sempre, fornece mais leituras: mostra Athena como compreensiva aos erros humanos: um deus que não fosse Athena não se daria ao luxo de virar uma mortal para, sutilmente, persuadir um outro mortal de não insultá-lo. Assim, com tal característica, Athena era de fato a condutora da cidade de Athenas, que recebeu tal nome por causa dela. Inspirados em Athena, os cidadãos gregos daquela cidade aprenderiam a se comportar diante das leis urbanas, deveriam tomar as melhores decisões, evitar conflitos e se proteger, ordenadamente – inclusive através da guerra – contra inimigos externos.A imagem de Athena povoou as mentes de alguns filósofos. Platão, ao falar de Athena, a tomou como protetora dos artesãos, ressaltando o caráter da deusa enquanto não somente uma guerreira e conselheira, mas efetivamente como aquela que, desde o momento que deu a oliveira aos mortais, estava preocupada em honrar a sabedoria prática, a habilidade de usar as mãos em articulação com o cérebro. Talvez Marx, ao falar que o pior engenheiro é ainda melhor que a melhor das aranhas, estivesse pensando, de fato, em Arachne. Mas certamente é com Hegel que Athena se imortalizou para nós modernos, finalmente, na sua ligação com a filosofia. É claro que predominou seu nome romano, Minerva. E mais que a própria deusa, a coruja ficou no centro da história. A frase de Hegel, que diz que a Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer, alude ao papel da filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da razão, após os acontecimentos que haviam de acontecer realmente acontecerem. Antes que "prever para prover", que é um lema de Comte e, portanto, do espírito cientificista, Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois da história, ela mostra que esta não foi em vão.Quando dizemos, com William James, que cada filosofia é o temperamento do filósofo que a criou, podemos então caminhar mais um pouco e dizer que Marx e Hegel aparecem como os que melhor encarnaram a própria psicologia de Athena para tecerem suas filosofias. Marx e Hegel, cada um com sua própria psicologia, seus temperamentos, captaram o espírito de Athena para fazerem disso espelhos para suas filosofias. Pois, afinal, Athena detinha com suas duas facetas o espírito de suas filosofias: de um lado, Athena era a protetora de uma democracia de artesãos, de outro, a racionalizadora das decisões urbanas. Portanto, Marx e Hegel, em essência!Mas sabemos que, de fato, o símbolo da filosofia ficou sendo a coruja, não Athena. Poderia ser outro animal, e não a coruja, o mascote de Athena? E como mascote da filosofia, o que indica?A coruja não é bela. Platão era tido como belo, mas Sócrates era horrível. A coruja não é adepta de uma visão unidirecional, ela gira a cabeça quase que completamente, vendo todos os lados. Platão era adepto de uma visão unificadora, mas Sócrates era quase um perspectivista. Platão ensinava em uma escola que, muitas vezes, foi oficial. Mas Sócrates ensinava nas ruas. Foi acusado e condenado por seduzir os jovens, por roubá-los da Cidade, da Pólis. A coruja, por sua vez, é a ave de rapina par excellence, e apanha os descuidados – na noite. Os leva da cidade, para seu ninho. E então, dá para entender, agora, o que é que coruja e filosofia fazem juntas?

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo
http://www.ghiraldelli.pro.br/
http://www.filosofia.pro.br/

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Wacken 2009 no Brasil

Você não sabe o que é o Wacken é simplismente
o maior festival de METAL do mundo
"Wacken Rocks Brazil" será realizado em maio de 2009
Durante a entrevista coletiva realizada hoje (sábado), dia 2 de agosto, no Centro de Imprensa do Wacken Open Air, o maior evento de Heavy Metal do mundo, foi anunciado oficialmente que o festival terá sua primeira versão fora da Alemanha.

No ano de 2009, justamente quando o Wacken chega à sua vigésima edição alemã, acontecerá a primeira edição brasileira do evento, através de uma parceria entre o Wacken, a empresa brasileira Atos Entretenimento e a revista Roadie Crew.
O festival terá o nome de "WACKEN ROCKS BRAZIL" e ocorrerá na cidade de São Paulo (SP), nos dias 16 e 17 de maio de 2009.

Thomas Jensen, um dos sócios do Wacken, comentou durante a coletiva de imprensa sobre a realização do evento no Brasil: "Existem negociações para levarmos o espírito do Wacken para diferentes lugares do mundo, inclusive a Austrália, mas o primeiro evento com o nome Wacken fora da Alemanha será realizado no Brasil em maio de 2009 e se chamará WACKEN ROCKS BRAZIL. Estão aqui nossos parceiros brasileiros, e acabamos de assinar o contrato que envolve a ICS-WOA, ATOS e Revista Roadie Crew", disse em resposta a uma pergunta de uma jornalista australiana.

Mais informações em breve!

Site relacionado:Wacken Open Air - www.wacken.com.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

30/07 Um epitáfio sem nostalgia

Faz tempo não escrevo sobre algo tão subjetivo, tão pessoal...

É verdadeiramente impressionante o quanto certas experiências podem ter um papel realmente decisivo nas grandes mudanças de paradigmas de um determinado individuo, o quanto os acontecimentos transformam a percepção, a maneira de encarar o mundo.

Creio poder dizer que é inerente a passagem a modificação estrutural, a mutação de ideais, sonhos, crenças, tudo o que o tempo toca se transforma, degenera, nada permanece imutável, por mais que nossa vontade seja forte quando se trata de uma mudança estrutural a própria vontade se modifica.

Trato aqui das mudanças substanciais isso não tem nada a ver com as mudanças superficiais, de momentos, de modismos, das mutações provenientes de uma vontade efêmera.

As experiências não me deixam de impressionar o quanto nos agarramos a elas, mesmo quando já estão podres, decompostas, quanta estupidez humana tentar reviver certas coisas, pertencentes exclusivamente ao passado, o que nos faz querer tanto essa “sombra”, esta ilusão? Sinceramente não sei, talvez seja por solidão, talvez por medo, quem sabe encarar uma realidade completamente ilógica seja uma tanto quanto acido demais as problemáticas são diversas e as soluções também devem ser...

De minha parte resolvi este problema de uma forma simples porem não menos dolorosa, deixar de lado as lembranças não é tarefa fácil, enterrar as melhores é quase impossível, mas foi justamente a compreensão de que tudo é perecível que me ajudou bastante, você deve aprender com as experiências não ser controlado por elas, e o quanto antes nos damos conta de que a dinâmica do movimento da existência é geração e corrupção menos nos decepcionamos com ela.

“Mate suas mais doces lembranças
Cave fundo
Enterre o que restou
A principio você deve enlutar-se
Deve chorar
Você vai sentir o coração apertado
Com o tempo isso vai passar
Até um momento em que não vai doer mais
Afinal elas estão mortas
E você vivo
Viva”
Rafael Caminhas

Ouvindo: Norther - Death unlimited

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Batman - The Dark Knight

É hoje a espera terminou
Batman - The Dark Knight; estreia hoje e eu vou ver...rs. O filme focará o vilão Coringa, um dos mais famosos da saga do Homem Morcego. O pôster acima é o Coringa escrevendo numa aparente vidraça Why so serious? - Por que tão sério?; seguido pelo seu sorriso doentio. A critica está rasgando elogios ao filme Batman na minha opinião é o heroi mais foda do universo DC.


terça-feira, 15 de julho de 2008

Justiça - Raffaello Sanzio

Justiça - Raffaello Sanzio
detalhe do afresco em Stanza della Segnatura.

A representação da Justiça não traz novidades. É uma deusa sentada, sem dúvida bem menos austera que a descrita por Crisipo, e não contemplando o céu, como se dizia da Dikê grega, mas segurando os atributos que se vulgarizaram: balança e espada.

Em várias ocasiões discutimos já a origem e significado destes atributos, bem como da inexistente venda, também muito difundida, sobretudo na arquitectura de palácios da Justiça. Ao cabo de mais de uma dúzia de anos e estudo, pensamos que a venda é um elemento espúreo, típico de alegorias da fortuna , funerárias, ou burlescas, e que teria tido origem numa paródia a sua aposição às representações da justiça, como sucede numa significativa estampa d’A Nave dos Loucos de Sebastião Brandt. Deu-se então a “recuperação” sábia do adereço, que, de crítica a uma justiça tonta e não sabendo para onde vai, passou a ser considerado como símbolo da não acepção de pessoas.

Esta representação de Rafael aparenta ser, assim, absolutamente grega, e grega do período tardio (a romana não tem espada, tal como a não tinham Zeus justiceiro ou Thémis), salvo na direcção do olhar da deusa. Porém, faz todo o sentido essa mutação, porquanto as estátuas gregas, estando na terra, procuravam, de olhar nos céus, a inspiração de Zeus. E esta Justiça é a própria deusa - e não a sua imagem - que se encontra precisamente no Olimpo arquetípico. Por isso olha para baixo, benevolentemente, como que conferindo o seu assentimento a esses momentos fundantes do direito positivo ocidental, a compilação justinianeia e a gregoriana.

Um elemento, porém, assinala aqui o eclectismo de Rafael. Se a deusa em si mesma é praticamente toda moldada pelo ideal helénico, já as tábuas transportadas pelos seus acólitos remetem para um paradigma muito diverso do grego, que deixava muito a desejar na concretização da arte jurídica: certa autem iuris ars Graecis nulla. Tal paradigma é o romano: Ius suu(m) unicuique tribuit, fórmula de clara inspiração no Digesto. Mas mesmo assim, Rafael tem o cuidado de apresentar o tempo verbal de forma a sublinhar que a deusa ali é a própria Justiça, e não a Justiça humana, constante e perpétua vontade (inclinação, apetite, desejo) de atribuir a cada um o que é seu. Não, aquela Dikê com programa de Iustitia ultrapassa ambas, porque ambas humanas afinal (problema de deuses feitos pelos homens, desde Xenófanes assinalado). A Justiça do mundo das ideias não deseja apenas a atribuição justa: fá-la - tribuit. Ora fazê-lo desta forma absoluta e sem história, sem mudança, sem falha, não é para os homens, é para os deuses, não é para a a terra, é para os céus. Na terra, porém, o fado é outro: é o motu perpetuo do constante andar sempre Em demanda da Justiça.

O interesse de Rafael parece concentrar-se, porém, especialmente na parte superior da parede, no tímpano que coroa os painéis de Justiniano a receber as Pandectas da mão do seu ministro Triboniano (numa cena excessivamente não romana renascentista e não bizantina, a começar pelos trajes) e de Gregório IX (que tem semelhanças evidentes com a fisionomia de Júlio II) com as Decretais.


A força simbólica da deusa helénica não só não abraçava as duas asas (clássica e cristã) do movimento renascentista, como, tal como sucede hoje, deveria encontrar-se então já algo esgotada como símbolo capaz de suscitar vero entusiasmo (etimologicamente, “possessão divina”). Assim sendo, e ainda numa linha aristotélica, Rafael vai sobretudo trabalhar as virtudes, condições do exercício da Justiça, e modos da sua efectivação. Claro que aqui a questão se complica, porque se joga na ambiguidade entre Justiça-virtude e Justiça em sentido jurídico. E é aí que entra em cena Aristóteles, porque o filósofo da Academia vive ainda imerso na síncrese conceitual entre uma e outra das justiças.

A justiça: dar o que é devido
Quem hoje pensa em justiça, sobretudo se é jovem, logo se lembrará do estribilho "sociedade". A sociedade parece-lhe a injustiça encarnada, com o que, talvez, não deixe de ter razão. No entanto, deve deixar-se lembrar de que estamos agora falando da justiça como virtude, portanto de uma atitude que só pode ser exigida da pessoa singular e por ela realizada.

A Justiça já foi chamada também "arte de conviver", uma formulação que por sua vez pode também ser mal-interpretada, como se não se tratasse de nada mais do que de arranjar-se com os outros. Não é isso, no entanto, o que se quer dizer, e sim, mais propriamente, um conviver em que cada um recebe o que lhe é devido: "A cada um o que é seu", como diz a antiga sentença.

Precisamente isto - assim o tem afirmado o clássico pensamento ocidental desde os antigos gregos até as encíclicas sociais dos papas -, precisamente isto é a Justiça: a vontade, constante de dar a cada pessoa, com quem nos relacionamos, aquilo que lhe é devido.
A Justiça é pois, como vemos, algo que está em segundo lugar; ela pressupõe algo diferente de si mesma: a saber, que, primeiro, haja alguém a quem algo é devido e que aquele que é convidado a exercer a Justiça aceite esse dever.

Agora, quanto à pergunta sobre se e por que razão algo é devido ao outro (e, naturalmente, também a mim), e sobre o que se lhe deve dar ou conceder - a esta pergunta não se responde facilmente. Que ao trabalhador é devido o justo salário, ainda é o mais fácil de evidenciar (ainda que na época dos campos de trabalhos forçados isto não seja tão evidente quanto parece).

No que deve residir, então, a causa de que a todo aquele que porta uma face humana, simplesmente pelo seu ser-homem, algo lhe seja devido inalienavelmente? Por exemplo, que a sua honra como pessoa seja respeitada. O conceito de pessoa, de fato, é aqui decisivo - enquanto se compreende "pessoa" como um ente que existe para seu próprio aperfeiçoamento e realização. Mesmo assim, em caso de conflito, ao se chegar aos extremos, não basta retroceder ao mero ser-pessoa (como supunham alguns filósofos idealistas). É necessário nesses casos, poder colocar em jogo uma instância absoluta, mais além de qualquer instância humana, ou, dito de outro modo: o outro deve ser-me intocável por eu o ver como ente criado por Deus como pessoa.

Não se pense ser esta uma concepção especificamente cristã ou teológica. Foi um chinês confuciano quem declarou - aos seus colegas da comissão da UNESCO para a reformulação dos direitos humanos, presumivelmente atônitos -, que lhe havia sido transmitido por tradição, como fundamento dos direitos humanos, que "O Céu ama o povo e quem exerce o poder deve obedecer ao Céu". E Emanuel Kant - que não era lá propriamente um teólogo cristão - diz: "Temos um santo regedor e o que Ele deu ao homem de sagrado é o direito dos homens".

Garantir e proteger esse direito é o sentido intrínseco do Poder. E quer se trate do poder político ou da autoridade em círculos menores (família, unidade militar, empresa) sempre vale: quando o Poder não cuida da Justiça, ocorre invariavelmente a injustiça, e não há injustiça mais desesperadora no mundo dos homens do que o uso injusto do poder. E, no entanto - e é uma idéia tão desagradável - poder do qual não se pode abusar, no fundo não é poder...

Mas aquele que aprofundar mais deparará com uma nova condição, ainda mais radical, no tema da Justiça. Pois o mundo dos homens está feito de tal maneira que, em alguns casos determinados e altamente significativos é impossível dar efetivamente ao outro aquilo que - sem sombra de dúvida - lhe é devido. Os antigos pensavam aqui, antes de mais nada, nas relações com Deus; a Ele não podemos, na verdade, dizer, nem mesmo a respeito de um único instante: "Já te dei o que te devia, agora estamos quites". Por isso, por essa incapacidade da Justiça, os grandes mestres do cristianismo afirmavam que no caso das relações com Deus, deveria entrar, em vez da Justiça, como substituto, como Ersatz, a modo de recurso improvisado, a religio: entrega, adoração, disposição para o sacrifício, atitude de reparação.
Mas também no âmbito do convívio humano há dívidas que, por natureza, não podem realmente ser pagas e quitadas. Também à minha mãe, a meus professores, aos justos administradores das funções públicas não posso, em sentido estrito, restituir na medida em que lhes devo; se atentarmos bem, repararemos que não sou capaz de "pagar", de modo que recebam tudo o que lhes devo, sequer a amabilidade de um garçom ou a lealdade de uma empregada doméstica. E assim, nos casos devidos, deve novamente entrar no lugar da Justiça (impossibilitada de realizar-se) outra coisa: a piedade. A atitude de honra e de respeito (não realizado apenas interiormente) que diz: "Devo-te algo que não posso pagar, e manifesto que estou consciente disso através dessas atitudes".

Quando nos sabemos assim agraciados e endividados diante de Deus e dos homens, não pautamos tão facilmente nossa vida pela atitude de reivindicações que pergunta: "O que me é devido?".

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Aquisições para as férias

Comprei esta semana alguns luxos, encontrei os Sandman´s a um preço muito bom na Cidade de Papel no Shopping Tatuapé (agora só faltam dois tomos e eu completo a coleção), o Blake estava muito barato e tive de levar também, o Dicionário Básico de Filosofia eu estava precisando, não é o melhor do mercado mais foi o que deu para comprar, agora ficquei feliz mesmo com o Documentário Grandes Castelos da Europa da Discovery, esse documentário passou a uns nove, dez anos na cultura eu achei fuçando numa pilha de dvd´s em promoção nas Americanas.
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Sandman - Vidas Breves
Páginas: 264 páginas
Formato: 19 x28,2 cm
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Sandman - Fim dos Mundos
Formato: 19 x 28,2cm, capa dura
Páginas: 168 de miolo + guardas + capa dura
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O Casamento do Céu e do Inferno & Outros Escritos
William Blake
L&PM Pocket Plus
Gênero: Poesia
Páginas:136
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Grandes Castelos da Europa
Gênero: DocumentárioAno de Lançamento: 2005
Distribuidora:True Tech
Duração: 100 minutos
Áudio: Português: Dolby 2.0 Inglês: Dolby 2.0
Legenda: Português, Inglês Vídeo : Standard
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Dicionario Basico de Filosofia Autor
Danilo Marcondes, Hilton Japiassu
Editora: JORGE ZAHAR
Ano de Edição: 1996
Nº de Páginas: 265
Encadernação: BROCHURA

domingo, 6 de julho de 2008

Prostituindo Platão

É por isso que eu sempre gostei do pensamento Aristotélico que diz que temos que nos ater mais ao mundo real ou sensível.

imagem roubada do blog: http://thewasteherald.ateus.net

sábado, 5 de julho de 2008

Dia Triste, não vou me perdoar nunca

Hoje acordei meio triste a cerca de 7 anos eu esperava por Neil Gaiman voltar ao Brasil para finalmente ter uma das minhas edições de Sandman autografadas por ele, quem me conhece a um certo tempo sabe da profunda admiração que tenho por Neil (na minha opinião ao lado de Frank Miller e Alan Moore um dos componetentes da santissima trindade dos quadrinhos), eu quase fui a Paraty para conseguir meu autografo e falar pessoalmente com o ídolo, da primeira vez que Neil visitou o Brasil em 1996 eu era muito jovem e já tinha lido alguns Sandman´s que na epoca tinha saido pela editora Globo, na segunda em 2001 um amigo meu me chamou para ir até a FNAC conseguir o tão sonhado autografo mas eu estava trabalhando e não pude ir novamente, este ano por problemas puramente financeiros também não consegui ir até a FLIP...quem sabe da próxima, Neil já disse várias vezes que adora o Brasil e provavelmente vai voltar ao nosso país (para o lançamento de "Morte: O Alto Preço da Vida" que deve virar filme nas mãos do proprio Gaiman), só espero que não demore mais 7 anos...de toda forma hoje é um dia triste para mim.

Neil Gaiman na Flip hoje

Autógrafo (será que um dia eu vou conseguir o meu ?)

Acabou o Semestre

Enfim mais um semestre se foi e agora só resta mais um ano e meio de facu, esse semestre foi meio foda porem ao mesmo tempo muito bacana, fiz bons e novos amigos, conheci um pessoal que mora aqui perto e todos os dias voltamos no metrô e no trem discutindo filosofia, acho que as pessoas que estão a nossa volta não entendem chongas do que estamos falando mas curiosamente prestam muita atenção e chegam ate a balançar a cabeça em sinal de concordância (leia-se cara estranho do metrô).
Em minha sala este semestre tinha um pessoal muito esquisito (também o que eu queria eu faço filosofia, curso de gente esquisita), tinha uma mulher que gritava muito na sala e enchia o saco durante as provas fazendo colocações no mínimo duvidosas a respeito de assuntos totalmente descabidos, também tinha um cara meio estranho que me lembrava o Gargamel dos Smurfs só que pançudo, e tinha também um enrustido que vivia cantando musicas de louvor durante os intervalos e dormindo durante as aulas.
Mas também tinha um pessoal muito intelectualizado (leia-se entendo do que estou falando), que realmente lia o conteúdo das disciplinas, tinha um cara muito firmeza que ouve black metal e gosta de poesia, ele quase não ia nas aulas e sempre tirava boas notas, e por incrível que pareça sem colar, tinha uma garota que sempre ficava vermelha como um tomate quando alguém olhava para ela, teve um cara que deixou o professor sem resposta e também teve é claro os ½ quilo que não fediam nem cheiravam.
Os professores foram um caso a parte, tive aulas novamente com o Flávio de teoria do conhecimento (ele já tinha dado aula de lógica I no primeiro semestre), tinha o grande menino que foi o responsável por nos fazer entender porque raios metafísica tem esse nome e que Aristóteles jamais usou esse nome para seus escritos sobre a dita cuja metafísica, teve também o profº Edson Gil que nos propôs uma nova visão do pensamento Cartesiano, passamos por todo renascimento com ele, muitos alunos não achavam ele legal, eu achei ele um bom professor, em filosofia política tivemos o Isaar que nos contou tudo sobre a época em que ele tinha um Fiat 147 ou será que era uma Brasília e quando ele vinha pela marginal escutando a rádio bandeirantes AM e ficou com vontade de mandar um e-mail para um entrevistado que falou alguma abobrinha, sobre política mesmo ficamos mais nos sofistas e formas clássicas de governo, uma grata surpresa foi o profº Mazzuco de Antropologia filosófica, ótima didática, muito espirituoso dava gosto de ficar na quarta feira quando tinha jogo na TV para assistir as aulas dele, e finalmente em didática tivemos a profª Ivetti essa eu não vou falar nada clique AQUI e veja as aulas dela.
Foi um ótimo semestre minhas notas em comparação ao 2º melhoraram um pouco, espero que o próximo seja mais doido ainda.
Notas do Rafael



segunda-feira, 30 de junho de 2008

Sedução e persuasão

Achei interessante publicar aqui este artigo do professor Markus Figueira para tentar contrabalançar o artigo do professor Isaar Soares já publicado AQUI.

SEDUÇÃO E PERSUASÃO: OS “DELICIOSOS” PERIGOS DA SOFÍSTICA POR MARKUS FIGUEIRA DA SILVA Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

RESUMO: Este artigo atualiza uma polêmica que atravessa as relações entre filosofia e educação, pelo menos desde o (des)encontro entre Platão e os sofistas: é a virtude que há de se ensinar? É a política? É a retórica? A tese aqui defendida é que o domínio atual da ignorância e da utilidade é um resultado, lamentável, do triunfo dos ideais sofísticos sobre os platônicos.
Atualmente a palavra “ética” é mais escrita, mais pronunciada,mais reclamada que a própria palavra “filosofia”. Para o sensocomum, ética figura como uma espécie de correção da conduta,ou ainda como modelo disciplinar. Pode-se definir a ética como a parteda filosofia que problematiza o agir humano. Mas o que vemos é ocontrário, a ética é reclamada como solução para os problemas definidosno âmbito das sociedades. Em pouco tempo a massificação dotermo e o escamoteamento do seu sentido originário como conceitotêm submetido a noção de “ética” a uma banalização tamanha queacaba por afastá-la do seu sítio natural que é a filosofia. Há um grandeperigo em atribuir à palavra “ética” um valor meramente utilitário.A ética não é apenas um termo instrumental, ela se constitui numproblema pensado por toda a tradição filosófica, e o risco de se perdera capacidade de problematizá-la conduz necessariamente a umdesastre, que é transformá-la numa aparente noção, facilitando-a,coisificando-a e vulgarizando-a. Tal preocupação já havia sido levantadapor Platão em seus diálogos,1 quando dissocia a dialética da retórica,ou ainda quando diferencia a busca de um verdadeiro saber dosimples exercício de uma téchne. Ainda que não possamos aprofundarneste momento o sentido desta afirmação, não podemos deixar defazê-la: quando Platão acusa o sofista de fracassar por dizer o não-serno lugar do ser, esse fracasso pode ser dito apenas do ponto de vistaepistemológico, mas não do ponto de vista da efetividade histórica,uma vez que os sofistas fundaram o primado da aparência, erigindo,no lugar da problematizadora filosofia, a facilitadora retórica. As terríveisconseqüências deste procedimento podem ser percebidas no exercícioda política por meio das técnicas de dominação operadas pelosdiscursos.Vem de longe a idéia de que é possível moldar o ethos por meioda educação. Desde a Grécia Antiga, precisamente no século V a.C., afigura do didáskalos, isto é, o professor, toma o lugar do poeta-aedo nacondução (agogé) do processo formativo do cidadão. A sofística iniciaum movimento de tornar públicos os ensinamentos com a promessade formar homens sábios, virtuosos, poderosos e felizes. Paralelamentea este novo modelo de educação surge a idéia de publicidade. Entre asduas a mais forte, a que vigora hoje como instrumento massificador eseduz com uma eficácia sem limites os sentidos por ela capturados ésem dúvida a publicidade.

Utilitarismo e pragmatismo
Considerar a educação como estratégia fundamental para moldara cidadania – paidéia – é uma idéia antiga e tradicional, porém desde operíodo socrático-sofístico essa idéia aparece como fundamentadora danoção de ética e, mais que isso, como manancial de problemas teóricosque ensejam a prática da política. Neste sentido, a retomada do pontode vista dos sofistas (Platão, Prot. 319a), “ensinar a arte da política e empreenderfazer dos homens bons cidadãos”, anuncia o lugar da ética comoprefiguradora da política e da educação como prefiguradora do éthos. Osaber divulgado pelos sofistas sempre foi entendido como sendo do âmbitoda filosofia, o que não quer dizer que seja filosófico, ou seja, o que éfilosófico é o embate em torno da possibilidade do ensino da arte (téchne)política. O que está em jogo é a eficácia da educação para modelar o éthosde uma sociedade.
Vê-se com isso que a má compreensão da relação entre retórica efilosofia pode ter sido a origem do erro de considerar-se hoje a ética maisimportante que a filosofia ou, ainda, de definir a ética como um conjuntode normas convencionadas em sociedade para atuarem como dispositivosde correção da conduta dos indivíduos. O problema dobrade tamanho quando entra em questão o uso que se faz da ética pelosinstrumentos de poder.
A deteriorizacão dos valores é hoje em dia reclamada pelos “corretoresda ética”, entretanto o que eles reclamam é a reforma da conduta,a eficácia da norma. O que deixam de fora da reclamação é a discussãofilosófica, isto é, o discurso que reclama a ética deixou perder-seo diapasão filosófico, tornou-se ideologia, ou um conjunto de preceitosdefinidos no interior de determinados segmentos da sociedade. Tais“corretores” agem no sentido de setorizar os modelos de conduta, produzindouma fórmula ética para cada setor da sociedade. Com isso elesprecipitam no abismo a unidade da ética. Promovem uma imageminautêntica dela, separam-na da filosofia. Mas o que se esconde por trásdesta atitude? O interesse pusilânime na fabricação de resultados. Estaprática se sustenta na apropriação indevida da natureza humana, tornando-a coisa, reduzindo o seu sentido natural de realização a um elementonumérico, estatístico, operado pela racionalização econômica epolítica por meio da sedimentação cada vez maior de uma lógica pragmáticae utilitária. Neste sentido, é crescente o número de cartilhas,códigos, normas de conduta que têm como objetivo a otimização da produçãode bens mediante a correção dos desvios de comportamento isoladose nocivos ao funcionamento dos sistemas definidos segundo uma mecânicaque exclui a autonomia do humano e calcifica a pragmaticidade davida, cuja finalidade se mostra nos resultados que contabilizam ganhoseconômicos e políticos. Haveria aqui um erro de interpretação das idéiashá muito desenvolvidas ou, ainda, o esquecimento do humano como valorfundamental precipitou a filosofia numa plástica de vida na qual ela mesmaficou subordinada ao útil? Vejamos…

Paidéia
A educação tornou-se objeto de investigação dos pensadores gregosno século V a.C., os quais começaram a pensá-la como estratégia fundamentalpara moldar a cidadania. Havia, naquele momento, um interesse epistêmicode articular a pergunta pela natureza humana (phýsis antropou) à perguntapelo exercício do modo de vida (éthos). Naquele momento, a ética foiproblematizada com vistas a definir os elementos constitutivos da política. Apaidéia é a palavra grega circunstanciada ao período em que surgem os sofistaspara exprimir “o conjunto de todas as exigências ideais, físicas e espirituaisno sentido de uma formação espiritual consciente”. E ainda: “No tempode Isócrates e de Platão, está perfeitamente estabelecida esta nova e amplaconcepção da idéia da educação” (Jaeger, 1986, p. 233).
Pode-se dizer que a sofística deu início a um movimento educacionalpoderoso, do qual ainda e mais do que nunca somos herdeiros, e que temcomo estratégia de dominação a publicidade e como justificativa a necessidadede uma formatação espiritual do indivíduo. É, portanto, na política e na éticaque mergulham as raízes do seu modelo de educação (Paidéia, 238).
A partirdesse momento a educação, mediante o ensinamento dos valores por ela definidos,criará a ilusão de que é possível moldar o ideal de sociedade. Entretantoa prática educacional seguirá plasmando diferenças sociais e políticas e elegendoo poder da fala, do discurso, como arma fundamental de dominação.

Sedução e persuasão
A política passará a ser exercida em todos os meandros da sociedade eserá definida como a arte da persuasão. Persuasão como convencimento epersuasão como falácia e hipocrisia.
A eficácia persuasiva é anunciada por Górgias como finalidade maiordo discurso (Colli, p. 83). É a hegemonia da retórica que passa a interessar.A retórica surge com a dialética por uma “necessidade política”: “Noconfronto com as formas expressivas da arte e com os produtos da razãoligados à esfera política, a linguagem dialética entra no âmbito público”(Colli, p. 85).
A retórica anuncia a figura do orador que luta para subjugar a massade seus ouvintes. O lugar do discurso reveste-se de poder, passando a ser olugar da autoridade. A formação dos indivíduos prima por estabelecer umhiato entre os que definem com seus discursos (logoi) o lugar da autoridadepolítica e aqueles que a ela se submetem. A noção de sabedoria para a cidadedos muitos discursos passa a ser identificada com o poder. Assim, o éthos, oua conduta, ou, ainda, o modo de ser dos cidadãos, obedece à dualidade deposições sociopolíticas defendida pelos retóricos: de um lado a formação deuma classe de políticos-oradores que tende a ocupar os cargos públicos, deoutro a formação de uma massa de receptores de discursos, manipulados emsuas paixões, docilizados pela aparência dos discursos políticos. Os sofistasprometiam a seus ouvintes/alunos, segundo Platão, que por intermédio dassuas lições eles alcançariam a excelência (areté) da téchne oratória que os levariaa predispor do modo mais eficaz possível o surgimento da emoção nopúblico. Daí a construção da plástica figura do orador-político, cujas armassão a sedução e a persuasão. O problema surge quando, ao invés da formaçãointegral do espírito político (cidadão), busca-se o treinamento e a composiçãode uma imagem plástica do político identificado de imediato com afigura do homem de poder, o que encanta o público com um discurso“agradável” e eficaz. Funda-se com isso o primado da aparência (dóxa), ouseja, o conteúdo dos discursos visa a mexer com a emoção do público,apaixoná-lo, e não instruí-lo ou educá-lo. Subverte-se com isso o sentido originárioda paidéia, que era o de formar integralmente os indivíduos e tornáloscidadãos. Opera-se uma cisão entre o sentido paidêutico necessário àconstituição de uma sociedade ciente dos valores a serem praticados e umaimagem da política que se perpetua pelo fetiche e pela facilidade de aceitaçãopromovida pela publicidade fabricada.

Deliciosos perigos.
A noção de útil convencionada e praticada nas relações políticasacaba por delimitar o modo de vida comum dos homens em sociedade.
Em nome da utilidade proclamam-se saberes, normas, regras de conduta.Ocorre que o conflito se mostra quando se deparam as duas noções deutilidade, a saber: o útil do ponto de vista subjetivo e o útil do ponto devista objetivo.
Quando considerado do ponto de vista subjetivo, é útil tudo o queé do interesse de quem pensa os critérios da utilidade e a maneira depraticá-los. Quando considerado do ponto de vista objetivo, o útil apresenta-se sob a forma de resultados. Assim, para o bom funcionamento dasociedade como lugar dos muitos discursos é mister que os critérios e aspráticas subjetivas configuradores do poder construam os seus “cantos desereia”, isto é, que representem a prática da vida segundo um modelo aparente,otimizador das relações de produção que, não obstante, esconde aambigüidade de ser “belo e agradável”, quer dizer, apaixonante, mas tambémrestritivo e condicionante. Ser ético passa a ser seguir as determinaçõescodificadas e não pensá-las, muito menos problematizá-las. Do ponto devista dos resultados obtidos com a prática freqüente dos valores, a ética destina-se aos elementos da coletividade. Contudo, tendo-se em conta a subjetividadeprodutora de valores, o útil não se mostra nos resultados, masnos interesses que entoam a ordem melódica do canto da sereia: o poderefetiva-se por meio dos discursos e aquele que o exerce se regozija com arealidade político-social mantida nos limites da aparência.
O discurso que seduz e convence produz uma espécie de deleite:ele diz aquilo que se espera ouvir, porém de modo agradável. Como dizCícero, a boa retórica é aquela que produz três tipos de afecção, a saber:docere (instruir, ensinar), delectare (agradar) e movere (comover) (apudReboul, 2000, p. XVII).
O problema reside na aparente objetividade do discurso. A coletividadeaceita aquilo que lhe parece agradável. Ora o que parece agradávelnão produz desconfiança e torna-se um “delicioso” perigo pelo qual multidõesse deixam seduzir empenhando-se em atingirem e manterem o quantofor possível o que lhes é solicitado. Tem-se então a educação reduzida auma espécie de adestramento, ou seja, a educação presente nas estratégiasdisciplinatórias, próprias para a modelagem da conduta. Esta concepçãode educação não visa ao pensamento, não visa à descoberta, não visa à criação,pelo contrário, coisifica o homem a ponto de torná-lo um seguidor deregras, exilado de seu pensamento, aparentemente satisfeito em ser útil aosistema do qual é refém. A educação não é um instrumento de revolta, elaé prefiguradora de um comportamento homogêneo e servil. Adequar-se aoútil; autodeterminar-se ao cumprimento das normas prescritas sob a formade um código de conduta aniquila o pensamento, inibe a criatividade,condena o homem coletivo a ignorar os seus limites e as suas possibilidades.A educação como apanágio do pragmatismo e do utilitarismo condenaa sociedade ao desprezo da inteligência,2 despotencializando a naturezahumana.Ora, há quem diga que não era este o projeto da sofística e de fatonão podemos reduzir a contribuição dos sofistas ao mau uso que fizeramdos seus pensamentos. Entretanto tal perigo sempre existiu. Para os sofistasgregos na Antiguidade Clássica, a produção dos discursos, o uso e o domínioda téchne discursiva eram criativos, agradáveis, pois, segundo elesmesmos, produziam subjetividades felizes e bem logradas. A subversão dasofística pelo uso do poder político e a subjetividade produzida por essepoder sedimentaram a desvalorização da inteligência, intimidaram a criaçãoe produziram, por meio da educação sistemática e teleológica, o útilignóbil coletivo e o domínio político da ignorância. O maior temor dePlatão realiza-se século após século, em ordem crescente. A espécie humanavive e sonha com bens úteis, inerentes à caverna.

Notas
1. Veja-se O sofista, O Protágoras, O Górgias e A república.
2. O abandono da fundamentação significa o desprezo pela inteligência, pois, quando a aparência fala por si, perde-se a filosofia. Quando Platão critica a falta de fundamentação do modelo de educação sofística, ele está criticando a possibilidade de um reino de opiniões, desordenado e pueril, que facilmente pode ser dominado por um logos pseudés (discurso falso), com finalidade utilitária e funcional (pragmática).

sábado, 28 de junho de 2008

Novos cartazes de Punisher: War Zone

Os novos cartazes de Punisher: War Zone claramente baseados no desenhista mais foda do mundo Tim Bradstreet.
Punisher: War Zone estréia nos EUA em 5 de dezembro.

Clique nas imagens para ampliar








Neil Gaiman, no Brasil em julho!

O grande mestre dos sonhos, Neil Gaiman, estará no Brasil em julho! Gaiman virá para a Flip - Feira Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 2 e 6/07 em Paraty Rio de Janeiro.Eu sei que vou me odiar enquanto viver mais infelizmente não vou estar presente...eu odeio minha vida medíocre...rs

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Watchmen e a teoria do caos

Com a chegada do dia da estreia do filme Watchmen, baseado na obra celebre do mestre Alan Moore (que foi lançada de novembro de 1988 a abril de 1989), pipocam livros e artigos sobre os gibis, é o caso de Watchmen e a teoria do caos de Gian Danton.

Alan Moore, para a criação de Watchmen, parte de uma questão básica: como seria um mundo sobre o qual os super-heróis realmente caminhassem? Como eles se relacionariam com os seres humanos normais, quais seriam suas angústias, que conseqüências isso teria?
Para responder a essas perguntas, Moore lançou mão de um dos princípios da teoria do caos: o efeito borboleta.

Esse conceito foi elaborado a partir da grande dependência das condições iniciais apresentadas pelos fractais. A mudança de um único número pode transformar completamente o formato de um desenho fractal. A mesma regra vale para alguns eventos não lineares.

Assim, o bater de asas de uma borboleta em Pequin pode modificar o sistema de chuvas em Nova York.

Moore transpôs o conceito para os quadrinhos. Se o bater de asas de uma borboleta pode ter conseqüências tão imprevistas, imagine-se o surgimento de super-heróis... Para Moore, o mundo jamais seria o mesmo.

Vista sob a perspectiva dos anos 90, Watchmen destaca-se por ser uma obra nitidamente pós-moderna. Algumas características das obras pós-modernas podem ser facilmente encontradas na HQ. Entre elas, o uso de formas gastas e da cultura de massas. Na época em que Watchmen foi publicada, a narrativa super-heroiesca parecia destinada ao desaparecimento.

A construção em abismo é outra característica que encaixa Watchmen no grupo de obras pós-modernas. A história se inicia com uma trama básica, a respeito de um matador de mascarados, e, a partir dela, desmembram-se outras tramas. Como num fractal, à medida que nos aprofundamos, a história vai nos revelando novas complexidades.

Mas a principal característica pós-moderna da história parece ser a mistura do sério com o divertido. Divertido porque Watchmen é uma história de super-heróis e, em certo sentido, policial, e guarda muitas características desses dois gêneros.

Estas e outras considerações são traçadas por Gian Danton sobre a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, uma das mais importantes criações das histórias em quadrinhos.

  • Watchmen e a teoria do caos
    Gian Danton
    Coleção Quiosque nº 13
    João Pessoa: Marca de Fantasia, 2005. 84p, 12x18cm. R$12,00
    ISBN 85-87018-56-6

Indicado para quem leu Watchmen e gosta das obras de Alan Moore.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Lev Yashin

Famoso pelo talento e pela coragem de suas defesas durante toda a sua carreira, o goleiro soviético Lev Yashin disputa até hoje com o inglês Gordon Banks a camisa 1 da seleção dos melhores jogadores da história das Copas.O próprio Banks admite que ele escolheria Yashin para integrar a seleção de estrelas. "Tudo o que ele fez foi genial", disse. "Foram grandes defesas. Ele conhecia todos os cantos do gol, sabia interceptar cruzamentos e, além do mais, era um perfeito cavalheiro"."Na Copa de 66, ele defendeu uma bola nos pés de um atacante que quase arrancou a cabeça dele. Mas a primeira coisa que Yashin fez depois da defesa foi se levantar e ver se o jogador com quem tinha acabado de se chocar estava bem".Nascido em outubro de 1929, Yashin morreu em 1990, de complicações decorrentes de uma cirurgia. Quatro anos antes de sua morte, Yashin teve uma perna amputada.

Hóquei
Lev Yashin jogou apenas por um clube em toda a sua carreira: o Dínamo de Moscou.
Foram 22 anos vestindo a camisa do time.Com o Dínamo, Yashin faturou cinco campeonatos europeus e três títulos dentro da União Soviética. Até hoje, ele continua sendo o único goleiro na história a receber o prêmio de melhor jogador europeu - o que aconteceu em 1963.
Mas Lev Yashin é mais lembrado por analistas como o jogador que mais revolucionou a forma com que os goleiros jogam.Ele se apossou da área com tamanha coragem e vontade que até os mais habilidosos atacantes se sentiam intimidados por ele.Mas embora muitos goleiros tenham tentado copiar seu estilo combativo posteriormente, nenhum deles igualou as estatísticas do 'Aranha Negra'. Foram 270 jogos sem levar gol e 150 pênaltis defendidos.O curioso é que Yashin, cujo primeiro emprego foi numa fábrica de ferramentas em Moscou, por pouco não abandonou o futebol.Por causa de uma desavença com um técnico do Dínamo, o goleiro foi obrigado a ficar no banco por um período, quando considerou a possibilidade de se tornar jogador de hóquei sobre o gelo.
Cigarro e bebida
Mas Yashin continuou no futebol, recebendo o apelido de 'Aranha Negra' ou 'Pantera Negra' por causa do uniforme todo preto que usava nos jogos.
A frieza de Yashin no gol se manteve intacta durante toda sua carreira - talvez graças a ritual pouco comum a que ele se submetia antes de grandes partidas. Nessas ocasiões, o goleiro sempre fumava um cigarro e tomava uma bebida forte.A importância do futebol para o 'Aranha Negra' ficou clara em uma referência que fez a uma das maiores conquistas da história da humanidade.
"A alegria de ver Yuri Gagarin no espaço só é superada pela alegria de uma boa defesa de um pênalti", disse.
Como Gagarin, Lev Yashin continuou brilhando apesar das adversidades que enfrentou.
Depois do empate em 4 a 4 da União Soviética com o Chile na Copa de 62, durante o qual um Yashin fora de forma deixou escapar várias defesas consideras simples, o jornal francês L'Equipe afirmou que a carreira do soviético estava com os dias contados.
Mas o 'Aranha Negra' deu a volta por cima, defendendo a União Soviética novamente na Copa de 66 e sendo escolhido o atleta russo do século nove anos depois de sua morte.

Eu como goleiro acho que ele foi insuperável


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quem é você nos Cavaleiros do Zodíaco? Versão Cavaleiros de Ouro!

Você é o Dohko! Ao lado de Shion de Áries, foi o único sobrevivente da última Guerra Sagrada contra Hades. Com a técnica Misopheta Menos, conseguiu acumular energia por mais de 200 anos. Para isso, ficava sentado na frente da Cachoeira de Rozan com a identidade de Mestre Ancião. O Mestre de Shiryu, além de ser um dos mais poderosos, é o único Cavaleiro de Ouro original que se mantém vivo até o final.

Quem é você nos Cavaleiros do Zodíaco? Versão Cavaleiros de Bronze!

Você é o Shiryu! O mais sábio dos Cavaleiros de Bronze chegou a recuperar a visão depois de matar Máscara da Morte de Câncer. Ele possui apenas um ponto fraco, vulnerável apenas quando lança seu golpe. A sua força compete com Seiya em poder, e a armadura de Dragão tem o escudo mais poderoso dentre todos.

eu juro que não manipulei o resultado...rs

domingo, 22 de junho de 2008

I Sebo Cultural - UNIFAI

Aconteceu ontem dia 21/06 o primeiro sebo cultural do curso de filosofia no campus Vila Mariana do UNIFAI.

O evento contou com a presença dos professores do curso e também shows de musica e peça de teatro, os alunos e visitantes puderam conferir o lançamento do livro “Sol de Primavera” da aluna Rosemary Chaia, e adquirir vários livros, valendo destacar o livro “As Máscaras do Cogito: A interpretação da realidade humana pela ontologia fenomenológica de Jean-Paul Sartre” da professora Neide Coelho Boëchat, mestra e doutora em filosofia pela PUC – SP.

Que este seja o primeiro de muitos eventos organizados pelo curso de Filosofia, todos os envolvidos e participantes estão de parabéns.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Metal - A Headbanger's Journey

O documentário foi realizao em 2005 pelo antropólogo canadence Sam Dunn e analisa esse que é considerado por muitos como um dos estilos mais underground do rock.
por Dico do blog http://metalincandescente.blogspot.com/

Há sete anos Sam Dunn resolveu investigar as origens e o impacto cultural do género, tendo visitado o Reino Unido, Alemanha, Noruega, Canadá e Estados Unidos na companhia de Scot McFadyen, guionista e realizador de cinema, para cumprir esse desígnio. O resultado é o documentário Metal: A Headbanger's Journey (aqui numa edição especial com dois DVDs), estreado no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, em 2005. Na prossecução do seu objectivo Dunn entrevistou figuras míticas como Tony Iommi (Black Sabbath), Dee Snider (Twisted Sister), Vince Neil (Mötley Crüe), Bruce Dickinson (Iron Maiden), Alice Cooper, Ronnie James Dio, Lemmy (Motörhead), Tom Arya e Kerry King (Slayer), entre muitas outras. Executivos da indústria, sociólogos, musicólogos, escritores, jornalistas, investigadores, DJs e outros peritos foram igualmente ouvidos. Portanto, Metal: A Headbanger’s Journey é muito mais do que uma peça cinematográfica, revelando-se um misto de rigorosa investigação académica e jornalística, em que se tenta perspectivar, de dentro para fora – e de forma lúdico-didática -, a visão que os fãs de Metal em particular e a sociedade em geral têm do género. Notoriamente, Dunn esforçou-se por desenvolver um trabalho imparcial. Consegui-o na medida exacta em que separa a ética académica do cientista social (determinante para garantir a validade científica de uma investigação) e o entusiasmo esfuziante do fã apaixonado. Seguramente, não terá sido fácil gerir os sentimentos e, ao mesmo tempo, preservar a neutralidade exigida. Por isso, o antropólogo, que neste documentário se estreou como guionista, realizador, produtor e narrador (fazendo magnífico uso da sua dicção perfeita e timbre apaziguador), está de parabéns. O feeling do it yourself, quase underground, que o documentário emana, não poderia, também, ser mais adequado.Intensa e empolgante, a obra apresenta, no DVD 1, vários capítulos, que abordam as origens do termo "heavy metal", as características da sonoridade, as suas raízes musicais, o ambiente vivido no Metal, o comportamento dos fãs, a cultura própria do estilo, a censura a que é submetido (com menção obrigatória ao PMRC), género e sexualidade (Glam Metal, machismo e o advento das bandas femininas são os temas abordados), religião e satanismo (a não referência ao White Metal gerou uma lacuna) e morte e violência (em que se aborda a imagética agressiva inerente ao género).O DVD 2 apresenta a árvore genealógica do Metal, com a história de todos os subgéneros, um mini-documentário acerca do Black Metal norueguês (que aborda as origens do estilo, a mitologia nórdica e o satanismo, dando especial ênfase aos trágicos acontecimentos do início dos anos 90), a íntegra das entrevistas com músicos disponíveis no DVD 1 (18, no total, com destaque para aquela com o malogrado Denis "Piggy" D'Amour e Michel "Away" Lengevin, respectivamente guitarrista e baterista dos Voivod), curiosidades das viagens efectuadas no âmbito da realização do documentário e um trailer.

Sam Dunn - Antropólogo e Headbanger

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Segredo de Beethoven

Ed Harris decifra um enigma que pareciaimpossível: o do íntimo de Beethoven por Isabela Boscov

Um dos mistérios mais estupendos da história da música é que o alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) tenha composto a Nona Sinfonia, de força e complexidade indescritíveis, quando já estava surdo como uma porta. Como ele nunca foi um grande missivista e a essa altura vivia também como um recluso, sem um círculo de confidentes, faltam aos pesquisadores subsídios para entender o que se passava no íntimo de Beethoven enquanto ele compunha sua obra monumental, e como se travou sua guerra entre som e silêncio. Em O Segredo de Beethoven (Copying Beethoven, Estados Unidos/Alemanha, 2006), a diretora polonesa Agnieszka Holland oferece uma versão ficcionalizada dos fatos.
Mas é uma versão tão bem arranjada, e tão atenta para com aquilo que efetivamente se sabe sobre a busca artística do compositor – por exemplo, sua crença de que o sagrado e o profano eram esferas antagônicas, mas não opostas, do espírito humano –, que, se non è vera, è ben trovata. Em outras palavras, não foi isso que aconteceu, mas bem que poderia ter sido. Para que a platéia ganhe ingresso à intimidade do compositor, Agnieszka e os roteiristas Stephen J. Rivele e Christopher Wilkinson criaram a figura de Anna Holtz, uma jovem estudante de composição contratada como copista do mestre, para passar a limpo suas partituras. Interpretada de forma correta e discreta pela alemã Diane Kruger (antes vista como a inexpressiva Helena de Tróia), a pupila toma um tombo ao constatar quanto o gênio tem de humano.

O temperamento de Beethoven é medonho, seus aposentos são imundos e seu amor opressivo reduziu seu sobrinho, Karl, a uma figura patética. Mas essa medalha tem um reverso, e Anna se fascina mais ainda do que julgava possível com quanto de genialidade e inspiração esse homem grosseiro é capaz de conter. Felizmente, o filme se esquiva de caracterizar essa atração e repulsa de forma carnal. O erotismo que corre entre Anna e Beethoven se dá num plano mais complicado, mas nem um pouco menos intenso – e é de imaginar quanto de virgindade tenha restado na moça depois de ela passar duas horas com os olhos nos olhos do mestre, durante a estréia da Nona em Viena, marcando tempo para que ele pudesse reger a orquestra sem ouvi-la (na verdade, a tarefa teria sido executada por um amigo do compositor). Na categoria das transas metafóricas, essa fica entre as mais criativas e eficazes.

Mas de nada adiantaria fazer um filme tão engenhoso sobre Beethoven se seu protagonista não fosse crível. É aí que falham as cinebiografias do compositor, como Minha Amada Imortal, com Gary Oldman. E é precisamente aí que Agnieszka acerta em cheio. Em seu filme, o americano Ed Harris faz por Beethoven aquilo que, dois anos atrás, o suíço Bruno Ganz fez por Adolf Hitler em A Queda – de alguma forma, ele compreende o que está no âmago de seu personagem e o ilumina por dentro. Acredita-se que Beethoven não tenha sido sempre irascível como o foi em seus últimos anos, quando enfrentou a tortura da surdez e as exigências sobre-humanas que impôs a si mesmo e a sua obra. Consta que, na juventude, foi expansivo e generoso para com músicos e amigos.

Harris, um ator que costuma se preparar de forma obsessiva, faz de seu velho Beethoven uma soma de tudo o que ele possa ter sido no decorrer da vida – um homem temperamental, rude e egoísta, mas também sensual, vulnerável e até divertido. Acima de tudo, ele localiza nessa bagunça espiritual a origem da contribuição indestrutível de Beethoven: a convicção de que a beleza passa longe do bonito, do organizado e do agradável, como se postulava então. A beleza está no tumulto, na mistura do vulgar e do sublime de que os homens são feitos. Ao suceder em dar forma a essa convicção, Beethoven quebrou as amarras do classicismo e libertou a arte. Faltava, até hoje, alguém capaz de dar forma ao homem que pensou essa idéia. Não falta mais.


Como Beethoven mudou a música

• Magistral em quase todos os formatos de composição, Beethoven fez a transição do classicismo para o romantismo, mudando a percepção do que era o belo na música
• Suas sinfonias (em especial a Terceira, a Quinta e a Nona) transformaram esse tipo de composição em verdadeiras obras de engenharia musical. A orquestra passou a trabalhar como se fosse ela própria um instrumento
• No período clássico, as sinfonias duravam em média quinze minutos, e cada compositor as produzia às dezenas. As de Beethoven duravam pelo menos quatro vezes mais e exigiam um trabalho hercúleo de estruturação tonal e instrumental

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O enigma dos 4 livros



Códigos indecifráveis, autores anônimos, enredos delirantes. Conheça os segredos impressos nas páginas dos livros mais misteriosos da história:

EM UM monastério medieval, um homem está escrevendo. Seus instrumentos: um pergaminho de pele de ovelha e uma pluma. O resultado de seu trabalho será um objeto único e precioso, um tesouro digno de ser guardado a sete chaves e contemplado com espanto e admiração por gerações de estudiosos: um livro.

Essa cena se repetiu inúmeras vezes ao longo dos séculos. Nos primórdios, em vez de pergaminhos usava-se argila ou tábuas de madeira com cera. No lugar da pluma, um estilete. Mas o resultado era o mesmo: uma obra literária de personalidade única.
A realidade mudou apenas em 1498, quando o alemão Johannes Gutenberg inventou o tipo móvel. Mudou, mas pouco. As obras surgidas na infância da tipografia estavam longe de ser itens populares. Eram vendidas por fortunas a aristocratas bibliófilos e ricos membros da Igreja.

Foi apenas no século 19, após a Revolução Industrial, que o livro se incorporou ao dia-a-dia. Antes disso, durante milênios e milênios, cada livro era considerado uma relíquia. Não é por acaso, portanto, que algumas obras mantenham até hoje a aura de mistério.

OS LIVROS DO DESTINO

Eram os últimos anos do século 6 a.C. quando uma viajante entrou pelos portões de Roma e pediu uma audiência com Tarquínio, governante da cidade. A estrangeira trazia 9 livros que continham "revelações divinas". Pediu 300 peças de ouro pelo lote, provavelmente escrito em folhas de palmeira ou papiro, já que não havia pergaminhos na época. Tarquínio recusou. Irritada, a desconhecida queimou 3 livros e ofereceu os restantes pelo mesmo preço. Proposta negada, ela destruiu outras 3 obras e repetiu a pedida. Impressionado, Tarquínio consultou seus sacerdotes e comprou os livros sobreviventes. Em seguida encerrou os volumes numa cripta subterrânea sob o Templo de Júpiter Capitolino - o mais importante da cidade.

Esse relato foi narrado por diversos historiadores antigos. Lactâncio, que viveu no século 3 d.C., afirmou que a desconhecida era Sibila de Cumas, sacerdotisa do deus Apolo, que tinha o dom da clarividência. Seus livros estariam repletos de profecias. Hoje, sabe-se que a maior parte da história não passa de lenda. O que não resolve o mistério. Por exemplo: havia, de fato, uma coleção de obras misteriosas nos subterrâneos do Templo de Júpiter. Era conhecida como Libri Fatales, os "Livros do Destino", ou Libri Sibillini, os "Livros da Sibila".

Escritos em grego, os volumes só podiam ser manuseados por sacerdotes conhecidos como quindecemviri, ou "os quinze homens", e sob ordem expressa do Senado. Revelar seu conteúdo rendia a pena de morte. Os livros eram consultados sempre que uma calamidade se aproximava. Interpretando os versos, os sacerdotes encontravam a solução para o problema e prescreviam construções de templos, orações ou sacrifícios humanos. A enigmática coleção foi destruída em 83 a.C., quando o Templo de Júpiter ardeu em chamas. De seu conteúdo, restaram apenas alguns poucos versos.

A origem dos Libri até hoje intriga historiadores. Para o francês Raymond Bloch, as obras foram escritas pelos etruscos - povo que habitava a Itália antes de Roma ser fundada - e traduzidas para o grego. Há quem opine que tudo não passava de embuste. "Os livros podem ter sido forjados pelo próprio Tarquínio, que usaria as profecias para justificar suas decisões", escreveu a espanhola Concha de Salamanca no Dicionário del Mundo Clásico.

A história dos Libri não acabou com o incêndio do templo. Até o século 4, escritores forjaram cópias da coleção para propagandear o cristianismo: os versos traziam previsões, "escritas séculos antes do nascimento de Jesus", que falavam sobre a vinda do Messias. As farsas circularam pela Europa durante séculos e foram reunidas num único volume pelo editor Servatius Gallaeus, na Holanda. Isso em1689.

DELÍRIOS DE SÃO TOMÁS



Um casal de gêmeos siameses é embalado por um pássaro azul gigante. Enquanto isso, dois cavaleiros cruzam lanças montados em feras monstruosas: o primeiro usa um elmo feito de raios de sol, o segundo tem 3 rostos semelhantes às fases lunares. Mais adiante, uma criança nua, com a cabeça estraçalhada, arranca pedaços do tórax e os oferece a um companheiro. Sob as asas negras de um corvo, um macaco sorridente toca violino.

Não, leitor, essas cenas não estão em um quadro de Salvador Dali. As imagens acima fazem parte dos tesouros gráficos do Aurora Consurgens - em latim, "Aurora que Surge", escrito entre os séculos 13 e 15, um dos livros mais obscuros da Idade Média. Grande parte do seu mistério gira em torno do nome do autor. De acordo com tradições medievais, esse seria o último livro escrito por são Tomás de Aquino, um dos maiores pensadores do cristianismo.

Considerado incompreensível pela maioria dos estudiosos, Aurora pertence a um gênero há muito desaparecido: o tratado alquímico. A alquimia era uma espécie de ciência primitiva, que misturava química, filosofia, astrologia e misticismo. Seus praticantes dedicavam-se a uma tarefa digna de contos fantásticos: encontrar a fórmula da "pedra filosofal", substância capaz de converter metais em ouro e de prolongar a vida. As imagens podem ser vistas como metáforas para os processos de transformação - um animal macho e um animal fêmea juntos, por exemplo, poderiam simbolizar a união do enxofre com o mercúrio, substâncias que os alquimistas consideravam opostas.

Durante centenas de anos, o Aurora foi uma das obras mais raras do mundo ocidental. Suas cópias limitavam-se a manuscritos esparsos. Até que no início do século 20 uma reprodução foi casualmente descoberta por um bibliófilo famoso: o psicólogo suíço Carl J. Jung, que ficou hipnotizado pelas imagens fantasmagóricas e interpretou os símbolos alquímicos do Aurora como alegorias do inconsciente humano. Jung levava a sério a versão que atribuía a obra a são Tomás. Para ele, o livro era uma transcrição das últimas palavras do filósofo, pronunciadas em seu leito de morte no mosteiro de Santa Maria della Fossa-Nuova, na Itália.
A hipótese é apoiada nos relatos de alguns biógrafos que afirmam que o santo morreu em estado de perturbação mental, assombrado por delírios místicos e visões do além. "À primeira vista, o Aurora parece um texto esquizofrênico, com múltiplos sentidos divergentes", diz Gelson Luis Roberto, presidente do Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul. "Mas um olhar mais cuidadoso revela que, talvez, trate-se dos últimos estertores de uma mente brilhante."

O ENIGMA DE VENEZA

Os livros impressos no século 15 são conhecidos como incunabula - de incunabulum, em latim, "berço" ou "princípio". Raros, frágeis e belos, são objeto de desejo de qualquer bibliófilo. Em dezembro de 1499, chegou às estantes de Veneza um dos incunabula mais estranhos e controvertidos. A obra tem biografia tão intrigante quanto o título da capa: Hypnerotomachia Poliphili, que numa tradução aproximada do grego significa "A Luta Amorosa de Poliphilo em um Sonho".
A autoria é desconhecida - apenas o editor é conhecido: Aldus Manutius, o primeiro impressor profissional da Itália.

O Hypnerotomachia tem uma característica célebre: as magníficas ilustrações em litogravura. "O livro representa uma revolução na história da tipografia. É uma obra de arte", diz o empresário e bibliófilo José Mindlin, um dos poucos sul-americanos que contam com um exemplar na prateleira.
Mas o que fez mesmo a fama do livro é o fato de ser um dos mais complicados de todos os tempos. Escrito numa mistura de latim, italiano, grego, hebraico, árabe e imitações de hieróglifos egípcios, a narrativa mistura pesadelos sanguinolentos, aventuras intricadas e devaneios eróticos, entremeados por comentários sobre literatura, arte e música.
O enredo é um labirinto: durante um sonho, Poliphilo parte em busca de sua amada, Polia, atravessando bosques, ruínas e cidades bizarras. Nesse cenário delirante, depara com deuses, ninfas e dragões. Um texto do século 16 sugeriu que a narrativa obscura e as ilustrações enigmáticas eram partes de um código alquímico.
No best seller O Enigma do Quatro, publicado no Brasil em 2005, os autores tentam encontrar significados ocultos nos jogos de palavras do livro.
Sobre a misteriosa identidade do autor, existem apenas pistas. Por exemplo: alinhadas, as letras iniciais de cada um dos 38 capítulos formam a frase "Poliam Frater Franciscus Colonna Peramavit" - em latim, "O irmão Francisco Colona amava Polia loucamente". Sabe-se que na época havia dois Franciscos Colonna: um aristocrata romano e um monge dominicano - este, o maior suspeito. De acordo com os anais dominicanos, por volta de 1500 ele solicitou um empréstimo para ajudar na publicação de um livro. Na década de 1990, a estudiosa francesa Liane Lefaivre sugeriu nova hipótese: o autor seria Leon Battista Alberti, espécie de artista multimídia do Renascimento, que era pintor, músico, arquiteto, filósofo, poeta e lingüista. Com um currículo desse calibre, Alberti bem que poderia ter escrito o livro mais complicado da literatura ocidental.

O DOUTOR FANTÁSTICO

A aura de mistério que cerca os Libri Fatales ou o Aurora Consurgens é alimentada pelo anonimato. Já as Opera Omnia Paracelsi ("Obras Completas de Paracelso") entraram para o panteão dos enigmas pelo motivo oposto: as lendas e controvérsias que cercam a figura de seu autor.
O suíço Theophrastus Philipus Aureolus Bombastus, mais conhecido como Paracelso, é um dos autores mais esquisitos na história. Era médico, químico e astrólogo; baixinho, enfezado e beberrão. Viajou com uma pequena trouxa de roupa pela França, Suécia, Rússia. Há quem diga que ele foi até a China, que estudou os segredos dos sábios de Constantinopla.

Paracelso fez fama transcrevendo suas experiências. Para ele, o Universo tinha demônios, espíritos e bruxas. Magia e ciência se cruzavam. E o mundo guardava uma doutrina secreta, passada a cada geração por magos persas, sacerdotes egípcios e alquimistas medievais, que ensinava a transformar metais, prever o futuro e tratar doenças incuráveis. Os inimigos esbravejavam, mas não conseguiam resolver a contradição: parecia inexplicável que a ciência maluca de Paracelso funcionasse tão bem - ele conseguia curar mais gente do que seus críticos.

A maior parte dos seus escritos foi reunida na coleção Omnia Opera, publicada no século 16. Desde então, sua fama oscila de louco a visionário. "Ele é uma figura controvertida, no limite entre a ciência e o obscurantismo", diz Jorge de Carvalho, antropólogo da Universidade Nacional de Brasília. Essa combinação de cientista moderno e feiticeiro medieval ainda é um enigma - e as páginas de seus tratados continuam tão intrigantes e perturbadoras quanto 5 séculos atrás.

Escrito por José Francisco Botelho para a Revista Superintessante